A NOSSA DEMOCRACIA AGONIZA, leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

A NOSSA DEMOCRACIA AGONIZA, leia opinião do contabilista José Ricardo

Por total falta de maturidade das partes, a democracia brasileira, que nunca esteve plena, sofre de uma patologia momentânea que pode trazer para o centro da discussão a perspectiva de retrocesso político econômico com consequências imprevisíveis.

A soberania popular não é um fato no seio da política brasileira. Uma dicotomia doentia foi instalada no Brasil a partir das eleições que elegeram o primeiro presidente petista da nossa história. O protagonismo petista, programaticamente focado nas questões sociais, despertou entre outras correntes certa ciumeira, pois se sabia que sendo a massa social carente uma realidade no contexto político geográfico, a simpatia perene das classes menos favorecidas decretaria, no médio e longo prazo, uma ditadura proletária, com sérios perigos aos ideais capitalistas na versão exploradora, porquanto o capital é colocado no topo da pirâmide das prioridades político econômica.

A intentona petista encontrou obstáculo na conduta dos seus integrantes, cheia de anormalidades e malfeitos, porquanto os caciques esquerdistas detinham um projeto de poder em mente e aí o céu foi o limite.

Temerosos com cenários futuros de perpetuação no poder, os oposicionistas capitaneados pelo PSDB, com a adesão do PMDB, trataram de buscar alternativas de interrupção do ciclo petista e conseguiram. Avivando as memórias frágeis, trazemos que tudo foi buscado para se encontrar um motivo, escolheram um tema e arriscaram o bote: “Pedaladas Fiscais”, que muitos até hoje não sabem do que se trata. Deu certo. A frágil e precária atuação da então Presidente Dilma Rousseff facilitou as coisas para os oposicionistas.

Paralelamente aos caminhos do impeachment, ações investigativas foram implementadas com o fito de macular a imagem do combalido Partido dos Trabalhadores. Sem entrar no aspecto meritório da ação e condenação do Lula, mesmo porque ele foi julgado e condenado em duas esferas do judiciário, o desfecho da condenação do maior expoente político da oposição impediu a sua candidatura à presidência da república, e ai o caminho para outra ideologia ficou mais curto.

Hoje vemos o País ainda dividido literalmente, mesmo entrando em cena uma maneira política diferente em suas pretensões, não se sabendo o que o futuro nos espera. Mesmo ainda fora de julgamento, o novo governo já entra com algumas questões que terão desdobramentos: em seus quadros se infiltraram, figuras suspeitas no meio político administrativo, inclusive com condenações, o que nos traz certa apreensão. Vamos aguardar os acontecimentos. Sendo o governo do povo, como preconiza o ideal democrático, haveremos de expulsar aquele que tenha faltado com a honra e a ética tão almejada na nossa política. Tudo é adivinhação.

Não se pode cravar nada. Os posicionamentos radicais devem ficar na conta dos fanáticos torcedores, que embalados na onda midiática das redes sociais, por vezes saem um pouco do ponto da sensatez.

Notícias recentes dão conta de que alguns partidos de esquerda não irão à posse do novo Presidente. Apesar do alvoroço que isso pode acarretar, com crítica de todos os lados, este escritoreco se posiciona da seguinte forma: é uma infantilidade a postura dos desafetos do novo governo, constatando o grau de fragilidade da nossa democracia, que efetivamente é doente. Nada obstante, lembro que o fato de o novo presidente não convidar, para a sua posse, alguns chefes de Estado de outros países com visão política diferente das suas, também se configura numa imatura infantilidade, porquanto denota a sua intolerância com o pensamento divergente.

É de se aguardar pela postura governamental do novo chefe do Executivo, quando as lupas da justiça social estarão a lhe mirar, sobretudo das prerrogativas democráticas, pois mesmo anciã e frágil, é o sistema vigente, muito embora com as suas costumeiras mazelas.

Não vislumbramos “céu de brigadeiro” para o novo governo. O PT já se declarou um antagonista ferrenho e aí a razão é derrotada pela emoção doentia, onde o maior prejudicado é o povo. Esperamos dos novos integrantes do Executivo e dos parlamentares atuações serenas, eficazes e eficientes diante da gama de problemas que nos afligem no momento. A esperar uma mudança no perfil dos protagonistas (oposição e situação), entendendo que cada um está tendo a oportunidade de governar o nosso País em determinado momento. A esperar, também, a melhora na postura dos coadjuvantes (eleitores das duas alas), pois a persistir o quadro doentio da dicotomia instalada, “morreremos” todos, abraçados ou não, mas morreremos ridiculamente afetados pela picada da “mosca azul”, mantendo o delírio pelo supremo poder.

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