O QUE COMEMORAMOS MESMO? Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

O QUE COMEMORAMOS MESMO? Leia opinião do contabilista José Ricardo

Nenhum sistema de datação é preciso quanto à idade de Cristo. Digamos que ele completa 2018 anos depois de amanhã. Desapercebidos que somos nossa capacidade conotativa nos afasta do verdadeiro sentido da data em que nos regozijamos com presentes e outras badalações do gênero. Aqui não quero cravar nenhuma crítica às comemorações natalinas e sim me incluir na relação dos incautos, que involuntariamente experimentam a apostasia da espiritualidade. Não! Não serei insensato e chegar a tal ponto.

O Natal, na concepção que adotamos, é motivo de renovação. Como seria bom se o espírito natalino perdurasse ao menos um mês! Como seria bom se desejássemos ao próximo, felizes Natais duradouros, com o espírito brando e aplacado que nessa época se sobressai!

Que tal permanecêssemos em estado natalino durante toda existência? Aí não haveria guerras, brigas em família, que cada vez se afasta da sublime convivência harmoniosa, como que a ocupar um espaço comparado a um trono inabitável. Que tal não fôssemos obrigados a disputar palmo a palmo um lugar ao sol para sobrevivermos nessa arena de lobos e cordeiros? Você já parou para pensar que o mundo é dos “competentes”. E é aqui que começamos a enfrentar o problema crucial. Adulteramos e prostituímos o sentido da palavra “competente”. Preferimos usar o termo como sinônimo de esperteza e aí as regras não são nada civilizadas e o fim passa a desprezar os meios éticos e morais, e o céu (ou o inferno) é o limite.

O que acho legal do Natal é que tudo se transforma como num passe de mágica. Nesse diapasão haveremos de reconhecer as boas práticas das almas boas, que não medem esforços para repartir, mesmo que em migalhas, um pouco de felicidade, ainda que de natureza efêmera, levando conforto e amor aos mais necessitados.

Haverão de dizer: o importante é viver o hoje, pois o passado não volta e o futuro ainda não veio. Não vamos entrar em polêmica, mesmo porque “odiamos o passado e o futuro é um estranho”. Vamos nos confraternizar sim, afinal o aniversariante merece. Religiosos, ateus, agnósticos, cientistas da teoria do Big-Bang, todos sem exceção, estarão comemorando a sua maneira mesmo que o sentido seja “o nada”, até porque “não precisamos de motivos para extravasar o nosso júbilo” ou se existir, isso não vem ao caso. Não estrague a minha alegria, por gentileza.

Logo mais vamos viver com leveza. Chega de agruras, pelo menos nessa noite. Vamos mostrar ao aniversariante que o seu convite não foi em vão. Abraçaremos os amigos, familiares, desconhecidos e eventualmente algum desafeto, que num passado recente quis “queimar o nosso filme”. Época de perdão, reflexão e muito amor. Afinal, o que comemoramos mesmo?

Feliz Natal para todos. Que o verdadeiro espírito da data habite em nossos corações. Alegria, afinal o aniversariante merece e nos concede essa oportunidade.

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