TEMOS DE SEGUIR COM ISSO QUE ESTÁ AI; Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

TEMOS DE SEGUIR COM ISSO QUE ESTÁ AI; Leia opinião do contabilista José Ricardo

Pronto! Estão aí, devidamente selecionados, os novos agentes públicos do Executivo, alocados em vinte e dois ministérios, pelo novo Presidente da República Federativa do Brasil. Para muitos, inclusive esse escritoreco, o ano de 2018 se apresentava como o marco da liberdade da tirania política, que recrudesce em nos largar. A alternância da mediocridade governamental tem trazido para o pensamento crítico, desprovido de paixões e parcialidades, a realidade que não se arreda da nossa convivência: o sistema político econômico troca apenas de comando, mantendo a essência da crueldade, do egoísmo e do corporativismo. O que a maioria convencionou chamar de esquerda e direita, para nós não passa de ideologias doentes, demagogas, por vezes abraçadas por uma multidão perdida em suas concepções, anestesiada que é pelos poderosos da máquina, que dopa, escraviza, aprisiona, oprime, e consegue mexer com o que há de mais sagrado nas pessoas: o caráter e a hombridade, e aí temos esse quadro que nos apresentam, de um País que estava nas mãos de aventureiros contumazes, até então com a missão de entregar migalhas, quando o que o povo precisa é de condições humanas, reconhecimento, respeito e dignidade.

Inicia-se em janeiro de 2019, com certeza, uma nova era na política brasileira. As últimas movimentações de cargos, atribuições e foco já nos rementem a um retrocesso no tocante aos preceitos constitucionais vigentes, onde a condição de atendimento às necessidades básicas do indivíduo está contemplada no Artigo sétimo, inciso quarto, pois já se defende que ao empregado resta a escolha pelo emprego ou direitos, esses adquiridos às custas de muita luta e resistência. O trabalhador terá de escolher ente um e outro, conforme pontuou o novo mandatário maior do executivo.

Incito a todos a fazerem um breve passeio pelo perfil de cada membro do novo Governo, no sentido de que se tenha uma noção do que nos espera. Longe do estigma da corrupção, a composição ministerial não se livrou do câncer que carcome o sistema político. Dentre os escolhidos, estão réus, indiciados, máculas por improbidade, fugindo assim do crivo do novo Presidente, que fez soar nos quatro cantos de que não faria alianças nem conchavos com partidos políticos, pois deles não precisava. Realmente, aconteceu o inusitado. Na primeira leva, vimos uma predominância na escolha de técnicos e gabaritados nomes nas diversas áreas. Porém, essas escolhas fugiram dos partidos políticos, mas tornaram-se irmãs siamesas das frentes parlamentares, que marcaram terreno e fincaram suas bandeiras. As bancadas da bala, da bíblia e do agronegócio distribuem as cartas nesse momento de afirmação do governo Bolsonaro.

Vamos nos ater a algumas pastas, para não falar de todas. Podemos dividi-las em blocos, por assunto. Com esse critério, empregamos importância maior nas pastas do Paulo Guedes, o conhecido Posto Ipiranga. Conhecemos o economista neoliberal através da leitura do seu perfil no Wikipédia. É assim que conhecemos as figuras do Brasil, pois não jogamos bola de gude com elas quando na infância. Aí, teremos de ter o cuidado para não nos alongarmos em análises de cunho pessoal, pois aí se configura a doença ideológica que acomete alguns, sendo que não acho legal isso. Partindo da constatação de que o Messias não tem um projeto para o Brasil, e sim ideias soltas ancoradas nas mazelas por que passa a sociedade, com desemprego, violência, saúde aos frangalhos, educação estagnada, tudo fruto de políticas malévolas de todos os governos até então protagonistas. Não tendo um projeto para a nossa realidade, o Sr. Bolsonaro foi atraído pela luneta do capital especulativo, defendendo a custódia de assuntos importantes da nossa economia sob a responsabilidade do empresariado brasileiro, que intencionalmente traçou linhas para a retirada de controles de instrumentos sociais, pois entendem a turma de Chicago que o mundo só funciona se o patronato ditar as normas. Os outros segmentos que de adaptem. Só tem um detalhe. Um passeio literário na história econômica mundial nos levará a uma realidade: esse modelo quase quebrou o mundo, quando foram obrigados a aceitarem as ideias de Keynes , procurando acertando as peripécias de Adam Smith. É preciso se aprofundar um pouco nesse conteúdo.

Entendemos que o modelo idealizado pelo Sr. Paulo Guedes nada tem a ver com os ideais do novo Presidente. Os propósitos da área econômica não são os mesmos do Presidente e do resto das pastas. Inevitavelmente não teremos céu de brigadeiro. As ideias das duas alas não se encaixam e já estamos experimentando os frutos dessas incongruências, com os interlocutores chutando pra tudo que é lado.

A outra pasta que nos mantém com a luz de alerta acesa é a da Justiça. O Ministro escolhido dispensa apresentações. Trata-se do símbolo da Lava Jato e da moralidade perseguida por todos os brasileiros. Sua atuação na primeira instância da justiça brasileira é motivo de esperança no sentido de que empregue toda a sua predestinação em busca da amenização dos impactos causados pela banda corrupta e improba da nossa política e gestão público. Com certeza, a marca do Ministro Sérgio Moro passará por testes iniciais importantes, pois é de domínio público de que estarão perfilados frentes às suas pastas, figuras com indícios fortes de corrupção, respondendo por ações de corrupção e de improbidade administrativa, além de indicação de aproveitamento de circunstância do mercado de capitais, o que é o caso do Sr. Paulo Guedes. Outro Ministro que merece toda atenção é o da Casa Civil, o Sr. Onix Lorenzoni, réu confesso em operação de caixa dois, que na avaliação do ex-Juiz Sérgio Moro, é pior do que atos de corrupção. Aí o ex-Juiz Sérgio Moro encontra num desconforto cruel, tendo de conviver com figuras marcadas por atos desabonadores e tendo que procurar manter a harmonia. Convenhamos, é incompatível. Vai chegar a hora em que ele vai ter que se posicionar firmemente sobre esse caso ou optar pelo desprezo às causas que abraçou: o combate à corrupção em sua raiz.

Voltando ao campo econômico alertamos que não podemos defender que esse governo ora constituído vai ser bom ou ruim. Torcemos na primeira hipótese. Aliás, sendo a equipe escolhida de grande perfil técnico, aliando as habilidades às essências de cada pasta, e é assim que deverá ser sempre, nada garante que venhamos a ter sucesso ou fracasso. Temos como exemplo a seleção brasileira de futebol de 1982, quando o Telê conseguiu juntar os melhores craques do País, formando um time de alta performance, mas não conseguiu transformar esse time numa equipe. O resultado é que amargamos uma derrota inexplicável para a Azurra, em Barcelona, pelo placar de 3 x 2. Vale a lição de que nem sempre os melhores escolhidos poderão ter resultados satisfatórios. Esperamos que o maestro do Executivo possa, com a sua maestria, coordenar as ações para o sucesso do projeto traçado pela nova equipe.

Alerto que faremos valer o direito democrático de nos posicionarmos diante das ações e fatos do governo que se instala neste dia, elogiando ou criticando quando cabível. Não cremos que devamos esperar dois ou mais meses para começarmos com as críticas. Elas virão no primeiro dia de governo, se for necessário. Bem como os elogios. Todos serão proferidos e enaltecidos. Não somos vacas de presépio, nem entendemos política como sendo algo que nos torne apáticos, anestesiados e embasbacados com ações pífias que nada acrescentem.

Temos o dever de ficar de olho nos acontecimentos vindouros, principalmente se levarmos em conta o caráter nacionalista e patriota do nosso futuro Presidente. E aí, ele ensaia a intenção de restringir o nosso mercado para o mundo, buscando acordos quando somente as suas ideias prevalecerem. Acho um equívoco estupendo essa postura. Primeiro por tratar-se de um paradoxo o pensamento do Presidente com o da sua equipe econômica, essa voltada para a abertura do mercado, num modelo neoliberal, nos moldes do padrão Margareth Thatcher e Ronaldo Reagan, em suas épocas, nos anos 80 e 90. Ora! Ao tomar essa posição, o futuro governo copia o modo operandi do Trump, que procura se impor a tudo e a todos. Cabe o ditado: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. O erro nesse posicionamento do futuro governo brasileiro reside no fato de que não estamos com essa bola toda para impor nada. Os EUA são autônomos e independentes, politica e economicamente falando. Eles podem. É a maior potência mundial, ainda. Não sabemos até quando, pois a China não larga os seus calcanhares.

Temos a esperança de que a prática alinhe posturas do futuro Governo. Ainda não dá pra posar de holofote. Vale a pena recuar, mais uma vez.

Vamos com fé e esperança a partir de janeiro de 2019. Isso é o que todos queremos.

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