Israel lança a maior onda de ataques contra o grupo xiita Hezbollah nesta quarta-feira (8) no Líbano, intensificando o conflito que se arrasta desde 2 de março no Oriente Médio. A ofensiva causou mais de 254 mortes, segundo a Defesa Civil do Líbano, e ameaça o frágil cessar-fogo negociado entre Estados Unidos e Irã.
O que aconteceu
- Israel realizou a maior ofensiva contra o Hezbollah no Líbano desde 2 de março, provocando mais de uma centena de mortes.
- A ação militar israelense mobilizou 50 caças que atingiram cem alvos em Beirute e outras regiões em apenas 10 minutos.
- A escalada do conflito no Líbano ameaça o cessar-fogo entre EUA e Irã e gera condenação da ONU.
Em 7 de abril, o Paquistão, atuando como mediador nas tratativas, havia indicado que a trégua deveria abranger também o território libanês. Contudo, Tel Aviv deixou claro que não tem intenção de suspender suas operações militares no país árabe.
As Forças de Defesa Israelenses (IDF) informaram que a ofensiva envolveu 50 caças, que lançaram cerca de 160 bombas contra cem alvos em meros 10 minutos. Os pontos atingidos incluíram “centros de comando do Hezbollah e outras infraestruturas militares” em Beirute, no Vale do Beqaa e na região sul do Líbano.
Segundo a IDF, entre os locais bombardeados estavam escritórios usados para planejar “ataques contra tropas e civis israelenses”. “Este é o golpe concentrado mais duro que o Hezbollah sofreu desde a operação dos pagers em 2024”, declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Conflito se intensifica e deixa rastro de destruição
Em resposta aos ataques, o premiê do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de “continuar expandindo sua agressão, mirando áreas residenciais densamente povoadas e tirando a vida de civis desarmados em várias partes” do país.
Testemunhas oculares descreveram “cenas apocalípticas” na capital Beirute. Fontes médicas, por sua vez, relataram a presença de diversos cadáveres nas ruas da cidade após os bombardeios.
O Ministério da Saúde libanês confirmou que a onda massiva de ataques resultou na morte de pelo menos 112 pessoas e feriu outras 837. As autoridades alertam que esses números ainda podem aumentar consideravelmente.
Como a comunidade internacional reage à ofensiva?
Questionado sobre o conflito pela emissora PBS, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Líbano “não está incluso no acordo” de cessar-fogo com o Irã. “Está tudo bem, é só uma escaramuça que vamos resolver”, assegurou Trump.
Entretanto, conforme apurado pelo diário americano The Wall Street Journal, representantes iranianos indicaram que a participação nas negociações agendadas para sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, estará condicionada a uma trégua no Líbano.
A agência de notícias Fars, com ligações à Guarda Revolucionária do Irã, divulgou que o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz foi novamente interrompido. Teerã avalia retomar os bombardeios contra Israel caso não seja alcançado um cessar-fogo no país árabe.
O gabinete do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou “de forma veemente” os ataques israelenses no Líbano, ressaltando a “perda de vidas civis”.
Da IstoÉ com ANSA













